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Euforia é Doença?

Não.

No Transtorno Bipolar, nas fases chamadas de mania, hipomania ou “euforia”, o paciente está, na verdade, acelerado. Seus processos mentais ganham velocidade e o termo técnico correto é fluxo de pensamento acelerado. As demais nomenclaturas persistem por tradição, mas não descrevem bem o fenômeno. O paciente acelerado não está alegre. Está doente.

A boa notícia: tratamento precoce e bem conduzido costuma ter excelentes resultados, desde que haja acompanhamento contínuo.

Como em qualquer condição psiquiátrica, a aceleração se manifesta através da singularidade de cada personalidade. Em algumas pessoas, ela pode parecer alegria — especialmente em indivíduos com traços histriônicos — mas isso é apenas aparência. E essa percepção depende de quem observa. Emocionalmente, sujeito e objeto não são separados; portanto, quem observa também projeta, interpreta e julga a partir de sua própria estrutura emocional.

Já indivíduos com traços obsessivo-compulsivos tendem a viver a aceleração como irritabilidade ou confusão, porque são muito controladores — e a aceleração, nas fases iniciais, é sentida como perda de controle.

Eu poderia escrever um tratado sobre as inúmeras formas de apresentação clínica, mas a verdade é simples: cada paciente revela algo diferente. A experiência de acompanhar milhares de casos é o que permite segurança diagnóstica e definição precisa do tratamento.

Quando a aceleração é severa, surge a chamada fuga de ideias, um quadro típico e de alto risco. O ideal é que o paciente não chegue a esse ponto. Entre a aceleração leve, depois moderada, até a severa, podem surgir sintomas psicóticos — e, com eles, novos perigos.

Por isso, o Transtorno Bipolar precisa ser percebido precocemente, diagnosticado com cuidado e tratado rapidamente.