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As demandas da atenção dividida na pós-modernidade.

No Estado Moderno, iniciado no século XVI, começaram a surgir demandas que estimularam, do ponto de vista da neuroplasticidade, a chamada atenção dividida — a capacidade de responder simultaneamente a múltiplos estímulos externos e internos.

Atividades como lavar a louça enquanto se ouvia rádio ou estudar com a TV ligada já ativavam regiões encefálicas relacionadas a esse tipo de atenção.

Na Pós-Modernidade, porém, com a internet, os games e os smartphones, esse fenômeno ganhou proporções muito mais relevantes.

Sempre considerei possível que pessoas, com ou sem predisposição genética para dificuldades atencionais, desenvolvam alterações em seu processo de atenção por manterem rotinas marcadas por múltiplas telas — TV, celular, computador — com estímulos simultâneos e contínuos.

Mais ainda: muitas passam a perceber, subjetivamente, essa dinâmica como uma “habilidade”, quando, na verdade, trata-se de um predomínio desnecessário da atenção dividida.

Para ilustrar: um soldado em zona de risco precisa manter vigilância constante, escaneando o ambiente. Nesse contexto, a atenção dividida exacerbada é funcional e protetora. Chamamos isso de estado de vigilância.

O problema é que muitos indivíduos permanecem nesse estado por tempo excessivo no cotidiano, seja por hábito, seja por exigências profissionais — estas, aliás, menos frequentes do que se imagina.

Em 14 de outubro de 2024, a Ohio State University Wexner Medical Center publicou dados mostrando que 25% dos adultos americanos suspeitam ter TDAH não diagnosticado, mas apenas 13% compartilharam essa suspeita com seus médicos. Isso sugere que muitos podem estar interpretando funcionamentos disfuncionais como algo “normal” ou até funcional.

Assim, é plausível — ao menos em nível de especulação científica — que a sociedade pós-moderna esteja contribuindo para uma dinâmica atencional marcada pelo excesso de atenção dividida e pela redução da atenção concentrada, o que pode resultar em diminuição global do rendimento cognitivo, já que a atenção é a base de todas as demais funções cognitivas.