Uma síndrome é um conjunto de sintomas comuns a várias causas — e isso ocorre com os sintomas depressivos, que podem surgir por diferentes motivos, desde doenças físicas até fatores emocionais ou ambientais.
Existem dezenas de possíveis origens para os sintomas depressivos: carências vitamínicas, hipotireoidismo, artrite reumatoide e outras doenças autoimunes, condições neurológicas, abstinência de cocaína e ecstasy, síndrome amotivacional por cannabis, depressão unipolar, depressão dentro do transtorno bipolar, distimia, ciclotimia, estresse crônico ou mesmo dificuldades de adaptação a fases críticas da vida.
Essa diversidade de causas torna o diagnóstico médico um passo essencial. Somente uma avaliação cuidadosa pode identificar a origem do quadro e, a partir disso, indicar o tratamento adequado. Em alguns casos, o antidepressivo será indicado; em outros, o foco será o tratamento da doença de base, como uma disfunção endócrina, autoimune ou neurológica. Muitas vezes, a terapia cognitivo-comportamental — modelo com melhor evidência científica para depressão — é o recurso central do processo.
Independentemente da causa, pessoas com sintomas depressivos costumam apresentar ansiedade elevada. É natural: a limitação imposta pelo quadro, o medo de não melhorar e a sensação de impotência intensificam o estresse. Por isso, o gerenciamento da ansiedade é parte fundamental do tratamento, auxiliando o paciente a restaurar seu equilíbrio emocional e a capacidade de enfrentamento.
Na Medicina Comportamental, esse trabalho é contínuo. As orientações e técnicas de manejo da ansiedade fazem parte da reabilitação emocional e são frequentemente necessárias mesmo quando há intervenção medicamentosa. Afinal, a ansiedade é o que chamo de “emoção coringa”: está presente em praticamente todos os processos de sofrimento psíquico e precisa ser compreendida e tratada com a mesma atenção.