Talvez uma ou outra reação física da luta ou fuga seja processada, cognitivo-emocionalmente, de forma favorável. Mas, provavelmente, há uma sobreposição entre reações físicas relacionadas ao que chamo de “circuito do amor” (sobre o qual escreverei em outro post) e a reação de luta ou fuga.
A reação de luta ou fuga é um conjunto de reações físicas, que pode ocorrer no nosso dia a dia em momentos de ansiedade elevada. Essas reações aumentam ou diminuem de forma diretamente proporcional à intensidade da ansiedade. Trata-se de um mecanismo de defesa.
Cada reação física tem a função de nos proteger da predação. A ansiedade aumenta, as pupilas dilatam para captar o menor raio de luz, a respiração se torna torácica, curta e rápida, incorporando mais oxigênio. Associado ao aumento imediato da glicemia, secundário ao cortisol, isso pode quase dobrar a força muscular para lutar ou fugir.
Mas tudo isso passa pelo processamento da personalidade, que é única. Algumas pessoas interpretam essas reações como um mal súbito, especialmente pela taquicardia. Com frequência, essas pessoas procuram o pronto-socorro. Trata-se do transtorno do pânico, Patologia, em geral, tratada com grande êxito pela medicina comportamental.
Por outro lado, não é incomum que, principalmente, adolescentes ou adultos jovens, relatem que, ao se imaginarem com a pessoa amada, quando apaixonados, sentiam uma sensação extremamente agradável na região torácica alta. Seriam os músculos intercostais, ao aumentarem a frequência respiratória, produzindo maior incorporação de oxigênio que, processada por uma alma apaixonada, é vivenciada como prazer?
Muitos descrevem o famoso “frio na barriga”, possivelmente decorrente da vasoconstrição abdominal, que direciona mais sangue para os músculos. Com menos sangue, o abdome pode, de fato, resfriar temporariamente.
Será que esse processamento afetivo transforma uma reação típica da luta ou fuga em algo deliciosamente lembrado? Talvez sim.
Provavelmente é a ansiedade mesmo! Aquela ansiedade boa, mobilizadora, que os americanos chamam de eustress, necessária para nos impulsionar na direção dos nossos objetivos, inclusive aquele de nos aproximarmos de quem amamos.