As crises de ansiedade não surgiram por acaso. Elas fazem parte de um sofisticado mecanismo de defesa, inscrito no cérebro humano há milhares de anos, desde muito antes da vida moderna existir. Trata-se da conhecida resposta de luta ou fuga, um sistema biológico que garantiu a sobrevivência da nossa espécie diante de ameaças reais.
Diante do perigo, esse sistema promove uma verdadeira mobilização do organismo: o coração acelera, a respiração se intensifica, os músculos se preparam, a atenção se afunila. Tudo isso para que fosse possível lutar ou fugir rapidamente — exatamente como ocorre com outros animais na natureza.
O problema é que o cérebro humano evoluiu, mas esse mecanismo básico permanece praticamente o mesmo. Hoje, raramente enfrentamos predadores ou ameaças físicas imediatas. Ainda assim, o cérebro reage de forma semelhante quando interpreta perigo, mesmo que ele seja simbólico. Ficar preso no trânsito, chegar atrasado a uma reunião importante, enfrentar uma prova difícil, conflitos no trabalho ou na família — tudo isso pode ativar o mesmo circuito ancestral.
O resultado é conhecido: frio na barriga, taquicardia, tensão, sensação de alerta excessivo. É como se um software antigo estivesse sendo acionado fora do contexto para o qual foi originalmente programado. Um sistema criado para situações de vida ou morte passa a operar diante de desafios cotidianos, que não exigem nem luta nem fuga.
Compreender essa origem evolutiva da ansiedade não elimina o sofrimento, mas oferece algo fundamental: clareza. Ansiedade não é fraqueza, nem falta de controle. É um cérebro tentando proteger — ainda que, muitas vezes, de forma desproporcional.