Sim, mas apenas se o clínico não fizer uma anamnese realmente bem conduzida.
Em minha experiência profissional, alguns pacientes diagnosticados com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade) relatam mudanças muito significativas após o início do tratamento. Um exemplo comum é a dificuldade em realizar tarefas simples, como arrumar uma mala: indecisões sobre o que levar, dúvidas sobre a quantidade de roupas, confusão entre peças de frio e calor, além de distrações constantes. O que antes levava horas, passa a ser feito em poucos minutos após o tratamento adequado.
Esses relatos, à primeira vista, podem lembrar TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), cujo núcleo é a dúvida recorrente e muitas vezes angustiante. No entanto, no TDAH o mecanismo é diferente: há uma competição entre estímulos externos e internos em um sistema atencional desregulado, o que dificulta a organização e execução das tarefas.
Outro ponto importante é que a ansiedade costuma aparecer secundariamente ao TDAH. A dificuldade de concentrar-se e de concluir tarefas gera insegurança e preocupação constante: “E se eu errar?”, “E se não der tempo?”, “E se eu me atrapalhar?”. Essa sequência de pensamentos é típica de um estado ansioso e pode levar à confusão diagnóstica com Transtorno de Ansiedade Generalizada.
Por isso, uma avaliação clínica precisa e abrangente é essencial. Diagnósticos em comportamento humano devem ser vistos como balizadores, não como rótulos fixos. É necessário compreender como diferentes condições se articulam e se expressam na personalidade e na história de vida de cada indivíduo.
Cada paciente é único e o olhar clínico deve refletir essa singularidade.