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Nós, os ratos e … a Ansiedade

Ratos condicionados a temerem um som, com a amígdala basolateral destruída, nunca mais deixarão de temer esse som. O ambiente do condicionamento, se o hipocampo anterior for destruído, também jamais deixará de ser temido. Para sempre.

É assim também com seres humanos. Mas, graças a Deus, são raras as situações nas quais essas regiões são destruídas. Com elas íntegras, é perfeitamente possível descondicionar crises de ansiedade.

Em alguém com Pânico, as crises parecem “vir do nada”, “caírem do céu”, nas palavras de alguns pacientes. São, aparentemente, espontâneas, o que é falso. Essas crises têm gatilhos, mas o paciente não os percebe.

Essas crises ocorreram, pela primeira vez, em algum lugar, fazendo algo, estando sozinho ou acompanhado. Qualquer elemento dessas situações pode ser “classicamente condicionado”. Traumas ocorridos antes dos 3 anos, por exemplo, podem não ser lembrados, mas o condicionamento clássico ocorreu.

Crises decorrentes de outras razões, como cafeinismo, cocaína, anfetaminas, abstinência ao álcool e hipertireoidismo, também gerarão condicionamento clássico, nos mesmos moldes. Somos mamíferos: nós e os ratos. A ansiedade, filogeneticamente, tem bases biológicas similares.

As estratégias terapêuticas devem conduzir cada caso de modo que, na amígdala basolateral e no hipocampo anterior, ocorra a formação de novas conexões neuronais, ao mesmo tempo em que os gatilhos do condicionamento vão gradualmente desaparecendo.

Esses processos são chamados de Potenciação de Longo Prazo e Depressão de Longo Prazo. A Medicina Comportamental oferece técnicas para essa dessensibilização. A necessidade de medicação variará de paciente para paciente.

Evidentemente, isso não desconsidera os aspectos da existência e/ou da personalidade de cada paciente, as quais são únicas e irreproduzíveis. Esses aspectos, sempre, serão abordados por terapeutas experientes, em Medicina Comportamental, mas não se engane: o aspecto biológico, de base, das dificuldades comportamentais, emocionais, cognitivas e volitivas deve ser sempre considerado.