O termo “TOC Mental” não é, rigorosamente falando, um diagnóstico psiquiátrico formal. Trata-se de uma expressão informal, mencionada em tratados de psiquiatria, que busca descrever determinados momentos da atividade mental de pacientes hiperracionais e altamente controladores.
O núcleo cognitivo-emocional desses pacientes costuma girar em torno da díade “dúvida versus necessidade de controle”. Em fases de maior ansiedade, é comum que apresentem uma intensa produção de pensamentos em cadeia, em que cada elo segue o mesmo padrão:
“a dúvida, seguida de hipóteses sobre como controlá-la ou refutá-la… a dúvida, seguida de hipóteses sobre como controlá-la ou refutá-la…” — e assim sucessivamente.
Esse processo gera ainda mais ansiedade, instaurando um círculo vicioso e retroalimentador. Quanto mais o indivíduo tenta lutar contra esse ciclo, mais o reforça — e, consequentemente, mais sofre.
Durante fases de grandes preocupações, qualquer pessoa pode vivenciar momentos semelhantes, ainda que de forma mais leve. Normalmente, após o término dessas situações difíceis, a atividade mental intensa tende a cessar ou diminuir. No entanto, quando isso não ocorre, é preciso avaliar: ou a situação existencial é realmente grave e crônica, ou há um TOC mental propriamente dito — ou ainda, ambas as condições coexistem.
Nesses casos, a combinação entre medicação e técnicas de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) costuma trazer alívio significativo, reduzindo de forma expressiva a ansiedade.
Por fim, é importante lembrar que a necessidade de gerar e testar hipóteses faz parte de nossa evolução como espécie — um mecanismo adaptativo que nos ajudou a controlar o ambiente desde tempos imemoriais. Ainda assim, o controle em excesso torna-se autodestrutivo, tanto individual quanto coletivamente.