Aparentemente… sim!
A nicotina presente no tabaco entra como uma chave em uma fechadura, sendo a fechadura o que chamamos de receptor, neste caso, denominado receptor Alfa 4 Beta 2, localizado em um sistema cerebral chamado mesolímbico.
Essa interação entre nicotina e receptor Alfa 4 Beta 2 provoca a liberação de dopamina no núcleo accumbens, frequentemente chamado de centro do prazer ou neurotransmissor do prazer. Na prática, a cada tragada, há alívio do sofrimento, com redução simultânea da ansiedade e da angústia.
Porém, há um ponto crítico nessa situação. O receptor Alfa 4 Beta 2 vai perdendo gradualmente a sensibilidade à nicotina, liberando cada vez menos dopamina e proporcionando alívio cada vez menor da angústia e da ansiedade do fumante.
Após certo tempo, o receptor deixa de responder à nicotina e só volta a reagir após, em média, 45 minutos, reiniciando a liberação de dopamina e o alívio, totalmente artificial, que gera dependência, autodestrutividade e doenças.
Curiosamente, o comprimento de um cigarro padrão foi definido de forma que, ao ser fumado no tempo médio, o receptor para de responder à nicotina e, após 45 minutos, volta a reagir. Isso indica que a indústria do tabaco calibrava o cigarro para gerar dependência de forma precisa.
Conhecimento e, claro, autoconhecimento são os únicos caminhos para que possamos balizar nossa autoconstrução como indivíduos.