Quando a ansiedade se eleva para níveis moderados ou intensos, a reação de luta ou fuga se intensifica. Nesse momento, os músculos intercostais – localizados entre as costelas, especialmente na porção superior do tórax – passam a atuar de forma exagerada.
A respiração deixa de ser abdominal e torna-se predominantemente torácica: curta e rápida. É nesse cenário que surge o que chamamos angústia.
O próprio termo já revela sua natureza. “Angústia” deriva da palavra alemã angst, que remete à sensação de aperto, constrição, sufocação. E essa sensação é, de fato, muito comum durante as crises de ansiedade.
No entanto, é fundamental que seja compreendido um ponto central: trata-se de uma falsa sensação de sufocamento.
Paradoxalmente, durante a crise, o indivíduo está incorporando “mais ar do que o necessário”. A hiperventilação aumenta a concentração de oxigênio no sangue para níveis superiores aos habituais, em repouso. O desconforto relatado não se trata de dispneia (falta de ar), mas de uma construção cognitivo-emocional de que … existe uma falta de ar, que não existe.
Mais uma vez, o corpo reage como se estivesse diante de uma ameaça real.
E, mais uma vez, o perigo não está no corpo – está na interpretação que o cérebro faz da situação. As técnicas de medicina comportamental dão conta de resgatar o controle em pacientes que estejam vivenciando esse processo.