Nem toda pessoa que passa por um trauma grave desenvolverá o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).
O TEPT é um Transtorno de Ansiedade que pode surgir após vivências emocionais intensas — desde situações que envolvem risco de vida até traumas de combate, desastres naturais ou acidentes automobilísticos. Esses eventos podem ser experimentados diretamente ou apenas testemunhados. A boa notícia é que apenas uma parte das pessoas expostas a traumas evolui para o TEPT.
De acordo com o National Center for PTSD (2022), cerca de 50% das mulheres e 60% dos homens já passaram por algum tipo de trauma emocional ao longo da vida. No entanto, apenas uma pequena parcela desses indivíduos desenvolverá o transtorno. Essa diferença está relacionada ao tipo de trauma e, principalmente, às características da personalidade e dos mecanismos de enfrentamento de cada pessoa.
Estudos psiquiátricos apontam uma prevalência média de 8% a 10% para o TEPT na população geral. Em contextos extremos, como guerras, esse número aumenta significativamente — ainda assim, mesmo em cenários de tortura intensa, como na Guerra da Coreia, a prevalência foi de cerca de 39%. Um índice elevado, sem dúvida, mas que revela algo importante: a extraordinária capacidade de resistência do ser humano diante do sofrimento emocional.
É claro que essa resiliência varia de pessoa para pessoa. E mesmo quem não desenvolve o TEPT pode, sim, pagar um “preço” fisiológico e emocional diante do estresse intenso ou prolongado.
Por fim, é importante lembrar que o TEPT pode surgir muito tempo após o evento traumático — dias, meses ou até décadas depois. Há relatos clínicos de sintomas aparecendo 30 anos após o trauma inicial.
Somos resistentes, mas não invencíveis. Entender como o trauma atua é o primeiro passo para buscar cuidado e prevenir o adoecimento emocional.