Nem sempre.
O tratamento do transtorno do pânico vai muito além da prescrição de remédios. O primeiro passo é oferecer ao paciente uma compreensão clara do que está acontecendo em seu corpo e em sua mente. Nas sessões iniciais, ele aprende a reconhecer as manifestações da crise e a desenvolver estratégias práticas que devolvem segurança e capacidade de manejo das reações físicas da ansiedade.
A partir daí, o processo terapêutico se aprofunda: paciente e terapeuta identificam juntos os gatilhos que disparam as crises. Esse reconhecimento ajuda a perceber padrões, compreender a lógica por trás dos episódios e recuperar, pouco a pouco, o controle e a confiança em si mesmo. As esquivas — aquelas situações, lugares ou atividades evitadas por medo — passam a ser enfrentadas de forma gradual, devolvendo autonomia e liberdade ao paciente.
Outro ponto central é o trabalho com a chamada ansiedade antecipatória: o medo constante de que uma nova crise aconteça. A terapia, nesse estágio, se dedica ao aprendizado emocional, ajudando o indivíduo a compreender não apenas os mecanismos do pânico, mas também as raízes mais profundas da ansiedade em sua vida. É nesse mergulho que se constrói a verdadeira capacidade de gerenciar a ansiedade de forma eficiente.
E a medicação? Ela pode ter um papel importante, especialmente no início do tratamento, em pacientes que sofrem crises intensas e frequentes. Quando bem indicada, oferece alívio rápido e permite que a pessoa tenha fôlego para se engajar no processo terapêutico. No entanto, à medida que o paciente avança na terapia psicológica, em muitos casos é possível — e desejável — uma retirada gradual e responsável, sempre com acompanhamento profissional.
Assim, o tratamento do pânico não se resume a comprimidos. É um caminho de autoconhecimento, aprendizado e reconstrução da confiança. A medicação pode ser uma aliada valiosa, mas não substitui o processo transformador que ocorre quando o paciente compreende a si mesmo e volta a se sentir no comando da própria vida.