Uma crise de ansiedade é, essencialmente, a ativação intensa de um antigo sistema de sobrevivência. Nesse momento, o cérebro aciona as glândulas suprarrenais localizadas acima dos rins que liberam dois protagonistas centrais dessa resposta: a adrenalina e o cortisol.
A adrenalina provoca uma redistribuição rápida do sangue no organismo. Os vasos que irrigam a pele e os órgãos abdominais se contraem, enquanto os vasos que levam sangue aos músculos se dilatam. O resultado é uma transferência maciça de sangue para a musculatura, preparando o corpo para lutar ou fugir. É por isso que muitas pessoas relatam ondas de calor ou frio.
Esse mecanismo tem uma função claramente protetora. Em caso de ferimento, menos sangue circulando na pele e no abdômen significa menor risco de sangramento grave. Mesmo quando a ameaça não é real, o “cérebro prefere” errar pelo excesso. Ele é, por natureza, exageradamente cuidadoso quando acredita estar diante de uma possível ameaça à sobrevivência.
Enquanto a adrenalina atua na vasculatura, o cortisol entra em ação elevando rapidamente os níveis de glicose no sangue. Associada a uma respiração curta e acelerada, predominantemente torácica, essa glicose reage com o oxigênio disponível, gerando energia imediata para o corpo.
Outras manifestações físicas:
– dilatação das pupilas, permitindo melhor visão noturna
– sudorese, que facilita escapar de um possível ataque
– elevação dos ombros, mecanismo descrito por Darwin como uma tentativa de parecer maior e intimidar o oponente
O cortisol, hipoteticamente, ainda interfere temporariamente no hipocampo, região ligada à memória. Isso pode prejudicar, de forma parcial e transitória, a formação de lembranças detalhadas, possivelmente como um recurso protetor para não nos lembrarmos com detalhes, de memóriaa traumáticas.
Por fim, o coração acelera e bate com mais força, garantindo que oxigênio e glicose cheguem rapidamente a todo o organismo.
Tudo isso não é descontrole. É um corpo tentando se proteger. Mesmo quando o perigo não existe mais como existia no passado.
Mas nos sentimos, ilusoriamente, fora do controle e esse é um dos aspectos que precisamos tratar.