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Falando sobre o Transtorno do Pânico

Pessoas com transtorno do pânico apresentam crises intensas de ansiedade acompanhadas de reações físicas como aceleração cardíaca, respiração rápida e curta, desconforto no peito, angústia, boca seca, tremores e tonturas.

Também é comum surgir a impressão de perda de controle e a sensação de morte iminente, o que leva alguns pacientes a acreditarem que irão desmaiar ou sofrer um infarto. No entanto, é importante ressaltar que essas reações físicas não representam risco de vida em indivíduos saudáveis, pois fazem parte da resposta protetora de luta ou fuga do organismo.

Outra sensação frequente é a de sufocamento, o que muitas vezes leva pacientes a procurar atendimento em prontos-socorros. Nessas situações, porém, a falta de ar é apenas aparente: a respiração rápida e curta aumenta os níveis de oxigênio no sangue.

Uma das hipóteses é que a hiperventilação, ao modificar o pH sanguíneo, envie ao cérebro uma falsa mensagem de sufocamento. Além disso, pequenos “freezings” respiratórios durante momentos de ansiedade podem aumentar temporariamente os níveis de CO₂ no sangue, produzindo a mesma percepção.

Para o paciente, essas crises costumam parecer surgir “do nada”, sem motivo específico. No entanto, mesmo quando parecem espontâneas, geralmente é possível identificar gatilhos associados à forma como cada pessoa lida com seus pensamentos e emoções. Por isso, é comum que indivíduos com esse quadro passem a evitar determinadas situações por medo de novas crises.

O tratamento envolve psicoterapia, que ajuda o paciente a reconhecer seus gatilhos e a desenvolver estratégias de regulação da ansiedade. Em alguns casos, também pode ser necessário o uso de medicação. A literatura internacional indica que até 60% dos casos podem ser resolvidos apenas com psicoterapia. Em minha prática clínica, observo frequentemente índices ainda mais positivos, sugerindo que, em geral, o transtorno do pânico apresenta excelente resposta ao tratamento.