O transtorno de pânico costuma se manifestar de forma súbita e avassaladora. O paciente é tomado por uma onda de ansiedade intensa, acompanhada de sintomas físicos marcantes: coração acelerado, respiração curta e rápida, aperto no peito, boca seca, tremores, tontura. Em paralelo, surge a sensação de perda de controle e, muitas vezes, a convicção de que algo grave está acontecendo — um desmaio, um infarto ou até mesmo um derrame.
É fundamental esclarecer: embora assustadoras, essas manifestações não representam risco de vida em indivíduos saudáveis. Elas correspondem à ativação extrema de um antigo mecanismo de sobrevivência do cérebro: a reação de luta ou fuga. Esse sistema ancestral prepara o corpo para agir diante de ameaças.
Um dos sintomas mais angustiantes é a sensação de sufocamento, que leva muitos pacientes a procurar serviços de emergência. O curioso é que, nesses momentos, o sangue está saturado de oxigênio — é a hiperventilação. A respiração acelerada altera o pH sanguíneo, enviando ao cérebro um sinal enganoso de falta de ar. Além disso, pequenas pausas involuntárias na respiração, os chamados “congelamentos respiratórios”, podem aumentar temporariamente o gás carbônico, reforçando a falsa percepção de asfixia.
Assim, o paradoxo se revela: o paciente sente que falta ar, quando, na realidade, há oxigênio em excesso no sangue.
Outro aspecto inquietante é a impressão de que as crises surgem “do nada”. Essa aparente espontaneidade, no entanto, não significa ausência de causa. Os gatilhos existem — ainda que invisíveis ao paciente em um primeiro momento. Podem estar ligados a ambientes específicos, experiências anteriores ou à forma como cada indivíduo processa pensamentos e emoções.
Essa sensação de imprevisibilidade leva a comportamentos de esquiva: a pessoa evita lugares ou situações com receio de novas crises. Surge o pensamento: “E se acontecer de novo? Melhor não ir…”. Aos poucos, a vida pode ficar limitada por um círculo de medo e restrições.