As crises de ansiedade não ocorrem apenas no estresse intenso ou no transtorno do pânico. Existem muitas situações clínicas e emocionais em que elas podem aparecer.
Pacientes com hipertireoidismo (doença da glândula tireoide) ou cafeinismo (ingestão excessiva de café), por exemplo, podem apresentar crises de ansiedade e insônia.
Essas crises também podem surgir em outras condições médicas, como em episódios de hipoglicemia funcional.
Além disso, pessoas com TOC — cuja vida pode se tornar limitada pela presença de compulsões muitas vezes incapacitantes — também podem apresentar crises de ansiedade relacionadas à sensação de impotência diante dos próprios sintomas.
Da mesma forma, as revivescências traumáticas em pacientes com TEPT são, essencialmente, crises intensas de ansiedade. Isso também ocorre com pessoas que sofrem de fobias simples ou fobia social, especialmente quando precisam enfrentar situações temidas.
Pacientes com TAG, que vivem em estado de preocupação persistente — muitas vezes desproporcional às circunstâncias — também apresentam crises de ansiedade com frequência, principalmente quando percebem o futuro como muito incerto, mesmo em situações relativamente previsíveis.
Além disso, fatores estressantes da vida cotidiana podem levar qualquer pessoa a apresentar crises de ansiedade. Nessas situações, isso é uma resposta natural e nem sempre exige tratamento.
Por outro lado, quando as crises parecem surgir “do nada”, sem causa aparente, pode-se estar diante do transtorno do pânico. Costumo dizer que apenas o nome desse diagnóstico já pode gerar preocupação, pois a palavra “pânico” sugere algo grave. No entanto, apesar do nome, a resposta ao tratamento costuma ser muito positiva na maioria dos casos.
Também é importante lembrar que, com frequência, o transtorno do pânico é diagnosticado em situações nas quais estão presentes outros transtornos de ansiedade, o que pode levar a tratamentos inadequados.